Mário de Andrade estaria regozijado ao ver como sua amada Belém, sem perder o encanto e a ternura, cresceu e se renovou, não apenas para quem nela mora, mas também para os apaixonados que a visitam. Sempre encantadora e surpreendente, Belém ressurge como a metrópole da Amazônia, um verdadeiro portal para o mundo mágico da floresta, a nossa Macondo brasileira.

Mesmo diante de tantas críticas, tantas vezes subjugada, Belém, que nunca foi unanimidade, não esmoreceu e seguiu seu destino de brilhar como uma cidade que mistura o que há de mais arcaico e rústico com o que há de mais moderno neste mundo. É difícil digerir Belém. Olhai a maniçoba como um singelo exemplo. Aos olhos pode não agradar, mas Deus nos deu cinco sentidos para que não perdêssemos nada de bom deste mundo. O olfato e o paladar estão aí para provar que essa comida é uma das coisas mais belas que existem, tal qual a terra que lhe deu guarida, com sua algaravia de gostos e sabores que todos querem experimentar.

Belém está longe de ser perfeita, assim como qualquer lugar deste planeta. Ainda temos muitos desafios e chagas abertas que precisam cicatrizar. Mas o processo de cura não se percorre parado. Belém precisava de todo esse movimento para que o sangue fluísse pelas nossas raízes e recuperasse a vivacidade da nossa terra.

Agora, capital do Brasil, ainda que simbolicamente, essa morena se apresenta em sua forma mais tenra, aguardando todos que quiserem se apaixonar por ela. Tal qual Mário de Andrade, há quase cem anos, em sua confissão a Manuel Bandeira, estejam todos convidados a querer Belém como se quer um amor.