Desde criança, meu pai sempre me ensinou a sonhar. Sempre nos compartilhou seus sonhos, suas vontades e objetivos. Mostrou também como tudo na vida é difícil e, embora tenha nos proporcionado uma vida confortável, sempre deixou claro que não poderia garantir isso para sempre. Mal sabe ele que garantiu, porque nos ensinou que, não importa o tamanho do obstáculo, se não for possível ultrapassá-lo, com certeza é possível contorná-lo.
E assim, meu pai foi caminhando em sua jornada, perseguindo seus sonhos. O mais curioso é que, certa vez, ele prometeu que só poderia morrer depois de realizar todos os seus sonhos. O que ele não imaginava é que, com sua força, garra e coragem, logo os realizaria e então passou a criar novos, apenas para adiar o encontro derradeiro.
Ninguém imaginava que meu velho se tornaria uma verdadeira máquina de realizar os próprios sonhos. E eu me lembro bem de quando ele me falou sobre este, em especial. Eu ainda era criança, e ele me disse que tinha o sonho de restaurar a fachada da igreja da Sé.
“Mas eu quero fazer de graça, vai ser 0800 pra igreja. Ela precisa de uma pintura nova.”
Começava, então, a me explicar o processo. Lembro bem que havia uma parte sobre o jato de areia para retirar a tinta antiga. Ele me falou isso quando eu tinha uns 11 ou 12 anos. Achei que tivesse esquecido, que fosse apenas mais um devaneio de um homem que nunca deixou sua criança interior parar de sonhar.
Vinte anos depois. Duas décadas. Quando muitos já teriam desistido, esquecido ou engavetado o sonho, meu pai ressurge com a ideia mais viva do que nunca de restaurar a fachada da Sé, em agradecimento pelas bênçãos de Deus em sua vida. Reuniu amigos, parceiros, correu atrás, fez acontecer e está conseguindo!
Mais uma do menino que nunca deixou de sonhar. A nossa Catedral da Sé será renovada, e meu pai deixará seu nome no rodapé da história da cidade que tanto amamos.
Obrigado, pai, por me ensinar a acreditar nos meus sonhos.

